Banco de Dados para Identificação de Nuvens Magnéticas por Aprendizado de Máquina
Abstract
As Ejeções de Massa Coronal (CMEs) são grandes quantidades de plasma e campo magnético expelidas pelo Sol. No meio interplanetário, são chamadas de Ejeções de Massa Coronal Interplanetárias (ICMEs). As Nuvens Magnéticas (MCs) são uma classe de ICMEs com: i) baixo parâmetro beta do plasma, onde a pressão magnética domina; ii) campo magnético médio mais intenso que o do vento solar; iii) baixa temperatura dos íons; e iv) rotação angular significativa do vetor do campo magnético [2]. A análise dessas estruturas é essencial para entender seus impactos, como tempestades geomagnéticas, interferências em satélites e tecnologias terrestres. Este estudo propõe a construção de um banco de dados para identificar e classificar MCs via aprendizado de máquina, utilizando hodogramas dos componentes do campo magnético interplanetário (IMF) Bx, By e Bz, gerados a partir de dados reais medidos in situ por satélites e de dados sintéticos calculados pelo modelo livre de força (force-free model) [3]. Dessa forma, foram obtidos planos de máxima, média e mínima variância por meio do Método da Mínima Variância (MVA) aplicado aos dados reais, bem como utilizando rotações do modelo livre de força. No modelo livre de força, a geometria Circular-Cilíndrica é adotada para o tubo de fluxo das MCs [3]. Assim, a orientação da nuvem magnética é definida pelo seu eixo, representado pelos ângulos φ (longitude) e θ (latitude) em coordenadas GSE. Esses ângulos foram utilizados para rotular as imagens dos dados sintéticos de acordo com os intervalos de classificação dos tipos de MCs, estabelecidos a partir de revisão bibliográfica [1] [2] [3]. Definiram-se intervalos para os tipos de MCs bipolares: SWN, SEN, NWS, NES e para os unipolares: WNE, WSE, ENW e ESW. Além disso, foi introduzido ruído gaussiano nas séries temporais obtidas, variando entre 0% e 50%. O ruído foi aplicado a fim de simular as condições dos dados obtidos pelos satélites, seguindo abordagem similar à adotada em [5]. Essa abordagem resultou em 2160 imagens de hodogramas sintéticos para o banco. Os gráficos que compõem o banco derivam da plotagem dos componentes do campo magnético nos planos de máxima, média e mínima variância. Ou seja, cada subgráfico representa a relação entre Bz × By, By × Bx e Bz × Bx, sendo organizados em imagens lado a lado, sem a exibição de eixos. Desse modo, 325 imagens foram compostas de hodogramas de eventos reais identificados por [4] e rotulados com tipo de nuvem e ângulos φ e θ usando a metodologia em [3]. Com isso, o banco totaliza 2485 imagens. Esse número pode ser maior ou menor conforme os parâmetros do ruído, mas sem gerar grande variabilidade. De outro modo, pode-se alterar a resolução das imagens, e isso foi investigado considerando 32 × 32 e 64 × 64. A Figura 1 apresenta imagens do banco de dados, destacando que possuem resolução e dimensões superiores às utilizadas no modelo. [...]
Downloads
References
V. Bothmer e R. Schwenn. “The structure and origin of magnetic clouds in the solar wind”. Em: Annales Geophysicae 16.1 (1997). doi: 10.1007/PL00021390.
L. F. Burlaga. “Magnetic clouds and free force fields with constant alpha”. Em: Journal of Geophysical Research 93.A7 (1988). doi: 10.1029/ja093ia07p0721.
R. A. Rosa Oliveira, M. W. da Silva Oliveira, A. Ojeda-González, V. Gil Pillat, E. Echer e T. Nieves-Chinchilla. “Resolving the Ambiguity of a Magnetic Cloud’s Orientation Caused by Minimum Variance Analysis Comparing it with a Force-Free Model”. Em: Solar Physics 296 (2021), p. 182. doi: 10.1007/s11207-021-01921-2.
I. Richardson e H. Cane. Near-Earth Interplanetary Coronal Mass Ejections Since January 1996. Versão V2. Accessed 2024. 2024. doi: 10.7910/DVN/C2MHTH.
L. F. G. dos Santos, T. Nieves-Chinchilla, M. Kirk, A. Narock e M. Nuñez. “Identifying Flux Rope Signatures Using a Deep Neural Network”. Em: Solar Physics 295 (2020). doi: 10.1007/s11207-020-01697-x.